(SEGUNDO O “HOY” E O “PÚBLICO”) A PONTE DA AJUDA VOLTA A SER NOTÍCIA

(SEGUNDO O “HOY” E O “PÚBLICO”)
A PONTE DA AJUDA VOLTA A SER NOTÍCIA
A velha Ponte manuelina da Ajuda, entre Elvas e Olivença, em estado de ruína desde
1709, volta a ser notícia. Agora, no “Público” de 1 de Maio de 2010.
Antes, foi o articulista  Luís Exposito, de Badajoz, que escreveu um curioso artigo
sobre a
Ponte da Ajuda, publicado no dia 7 de Março de 2010 no “Hoy”.
Por ele, ficámos a saber que a reconstrução da velha Ponte que até 1709
ligava Elvas e Olivença (então portuguesa sem discussões) está parada, uma vez mais, neste
ano de 2010. Exposito, baseando-se aliás em opiniões de Manuel Cayado, Presidente da
Edilidade oliventina, conclui que por detrás desta situação deverá estar a velha recusa
portuguesa em aceitar que Olivença seja território espanhol em termos de direito
internacional.
Alguns erros no seu artigo merecem uns reparos.
Exposito ignora que, em Agosto de 1994, Madrid aceitou que fosse Lisboa, e apenas
Lisboa, a construir uma nova ponte e a reconstruir a velha. O jornal para que escreve
referiu-o muito claramente por essa altura. O próprio “Hoy” o noticiou em 25 e 26 de
Agosto desse ano.
Também parece ignorar que, em finais de 1999, forças da ordem espanholas, quando a
nova ponte construída por Portugal já alcançara a margem oliventina, “invadiram@ a obra e
a margem elvense, arrestando inclusivamente as máquinas, em violação do acordado em 1994.
Tal facto, que causou escândalo, só foi conhecido em Maio de 2001, e foi noticiado, uma
vez mais, pelo próprio “Hoy”.
Em 11 de Novembro de 2000, foi inaugurada a nova Ponte da Ajuda, que muitos conhecem
por Ponte General Humberto Delgado, por este, defensor de uma Olivença portguesa, ter
sido assassinado próximo desta localidade em 1965 (e não em Villanueva del Fresno). Na
cerimónia, não estiveram presentes autoridades nacionais portuguesas ou espanholas, mas
somente concelhias, já que a Ponte não era, nem é, internacional. Nenhuma placa em Elvas
indica Olivença como sendo espanhola.
Após o escândalo de finais de 1999, acordara-se em que Portugal consentiria numa
reconstrução paga por Espanha da velha Ponte manuelina, desde que o projecto fosse
aprovado pelo IPPAR (português, claro).
Em 2003, sem respeitar este aspecto, Espanha ocupou as duas extremidades da velha
ponte, e, sem a autorização do IPPAR, após vedar os acessos, começou a restaurá-la, muito
à pressa, o que ainda se vê no lado de Olivença. Uma restauração, aliás, de má qualidade,
pelo desrespeito por normas elementares. O Estado português protestou e pressionou, os
Amigos de Olivença recorreram aos tribunais, e as “obras” pararam… mesmo porque os
reflexos na opinião pública portuguesa, desta vez, foram razoavelmente sentidos e a
imprensa não escondeu o que se estava a passar. A imprensa…portuguesa, claro, pois a
espanhola nunca se referiu, sequer, ao facto de as obras terem parado em Junho de 2003.
Ainda na década de 1990, meios ecologistas espanhóis mostraram preocupação pela sorte
da flor, raríssima, quase só existente na velha ponte, de nome científico ‘narcisus
humili’, o que foi natural, e mesmo secundado por ecologistas portugueses. Aqui, Exposito
afirma que foi Portugal que levantou o problama, o que é falso. Muito curioso e
comprometedor foi o apoio dado a esses ecologistas por autoridades regionais extremenhas
(espanholas, claro), insinuando que Portugal, se construísse a ponte sozinho, estava a
fazer “perigar” uma espécie raríssima, e que talvez fosse melhor não reconstruir nada.
Este argumento foi usado em 2000 e 2003, embora silenciado quando, no início deste mesmo
ano, a Espanha efectuava a sua tentativa de reconstruir a velha ponte “à pressa”.
Não quero crer que o Jornalista estivesse a fazer de propósito, mas esta “reportagem”

uma imagem muito negativa das qualidades informativas do jornal de Badajoz e da
informação feita em terras de Espanha no que a certos temas diz respeito, principalmente
quando se fala de Olivença.
O jornal “Público”, de 1 de Maio de 2010, noticia que, ao contrário do que sucedera
em 2008 e 2009, em que o Governo Governo espanhol disponibilizara, respectivamente,
verbas de 1,1 milhões de euros e 1,3 milhões de
euros, em 2010 não há qualquer montante previsto para esse efeito no
orçamento por parte de Madrid.
O “Público” pediu alguns esclarecimentos, e ouviu a directora regional de Cultura do
Alentejo, Aurora Carapinha, que afirmou, que
“existe um estudo prévio elaborado por uma firma espanhola”, que foi objecto de
apreciação em Outubro de 2008. Nessa altura, “perante várias dúvidas e reservas”, ficou
acordada a sua revisão e posterior apreciação pelas autoridades dos dois países.  Mas,
até à data (Abril de 2010, claro), diz Aurora Carapinha, “não foi recebida qualquer outra
informação
sobre o assunto”, o que, de algum modo, contraria o anúncio feito pelo Ippar em 2006.
Pormenorizando, a directora regional de Cultura explicou que o projecto deverá
contemplar uma solução o
mais “ligeira possível” que permita o uso pedonal da ponte e, simultaneamente, a
consolidação estrutural das ruínas, respeitando tanto quanto possível “as características
construtivas seiscentistas e a respectiva autenticidade”.
O “Público” ouviu também a Câmara de Elvas, que, através do seu
vereador João Vintém, disse desconhecer o que se passava com o projecto e com as obras.
Tudo indica que se está perante um acordo tácito. Nenhum dos dois lados, o Português e
o Espanhol, parece querer avançar com projectos concretos, dadas as dores de cabeça
diplomáticas que o assunto já provocou.
Talvez seja melhor deixar a Ponte em ruínas como um símbolo.
Pelo menos, até que haja a coragem de se assumir que, mais tarde ou mais cedo, se terá
de resolver o Problema da soberania na Região…
Estremoz, 02 de Maio de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna

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